quarta-feira, 20 de abril de 2011

ENREDO

A história passa-se numa cidade do interior da Noruega, cuja maior fonte de renda advém de sua Estação Balneária. O Dr. Stockmann inquieta-se com as doenças que turistas e concidadãos apresentam e resolve investigar a água da cidade. Para sua surpresa, percebe que todo o encanamento de água está poluído. Homem da Ciência, sente-se no dever de levar a verdade ao povo, mas sua denúncia representaria o fechamento do balneário por dois anos e uma suspeição geral levantada sobre suas qualidades, mesmo depois das obras necessárias para resolver a questão. Isso causaria um transtorno para a cidade, que deixaria de lucrar com o turismo. Não denunciar o fato, contudo, vai contra os ideais de Stockmann. Sua insistência em fazer prevalecer a verdade torna o médico persona non grata para a população, sobretudo ao defender a ideia de que os valores daquela cidade estão sustentados sobre a mentira e de que o povo não tem a razão, ou seja, a maioria não tem o monopólio da verdade. Ele torna-se assim um inimigo do povo e conta apenas com o apoio de sua família e de alguns poucos membros da comunidade, que passam a sofrer represálias por conta disso. A convicção de Stockmann em relação à verdade, contudo, faz com que ele mantenha-se firme em seus propósitos até o fim, mesmo sabendo que seu papel relevante naquela comunidade jamais será retomado.
A poluição das águas é usada como metáfora no drama de Ibsen para denunciar a sujeira na estrutura social daquela cidade – no governo, na imprensa, no comércio e na sociedade em geral.

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